Reportagem aponta gastos superiores a R$ 10 milhões na obra, enquanto a unidade de saúde permanece sem atender à população. Valores e responsabilidades devem ser conferidos em documentos oficiais.
O Hospital Estadual da Mãe, no bairro do Colubandê, ao lado da UPA, foi idealizado em 2013 para ser referência em saúde da mulher no Leste Fluminense. O projeto previa mais de 10 mil consultas e 800 partos por mês, com centro cirúrgico e UTI neonatal para os recém-nascidos.
O orçamento original era de R$ 37 milhões.Hoje, o que se vê é um esqueleto de três andares tomado pelo mato, com focos de mosquitos da dengue, usado como abrigo por usuários de drogas e refúgio por criminosos. Segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), a obra já consumiu mais de R$ 10 milhões dos cofres estaduais, sem nunca ter sido entregue à população.Os dados do TCE revelam ainda cerca de R$ 488 mil pagos em multas e juros por atraso e aproximadamente R$ 357 mil por um serviço de demolição.
A obra atravessou as gestões de Wilson Witzel e Cláudio Castro e segue paralisada há mais de uma década — um retrato do descaso que Soranz transformou em denúncia pública.O custo humano que ninguém contabilizaO que torna o caso tão contundente não é apenas o dinheiro desperdiçado, mas a vida que deixou de ser salva. A maternidade de Alcântara e a rede municipal ficaram sobrecarregadas por anos, e especialistas apontam que a falta de estrutura materno-infantil impacta diretamente indicadores de mortalidade materna e neonatal, que seguem acima do recomendado em várias regiões do estado.”Um hospital para atender toda a população de São Gonçalo. É inadmissível.
Isso aumenta muito a mortalidade materna, dificulta demais o cuidado das mulheres que mais precisam”, denunciou Soranz. A indignação ecoa nas ruas: “Quem não cuida da gestação, não ganha eleição”, afirma a enfermeira Fátima Maria dos Santos, do Movimento das Mulheres.
A auditoria concluiu haver “indícios consistentes de possível conflito de interesses e de vínculos comerciais e societários entre agentes públicos e privados envolvidos em contratos de obras públicas de elevado valor durante a gestão do então secretário Douglas Ruas”. Como o documento menciona Altineu Côrtes, autoridade com foro especial, o procurador-geral de Justiça do Rio consultou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre a abertura de investigação.
O caso do hospital também já está no Ministério Público. O deputado estadual Professor Josemar (PSOL) protocolou ação no CAO Saúde pedindo inquérito para apurar a paralisação das obras e o desperdício de recursos públicos. Vale registrar: todos esses procedimentos são apurações em andamento e não significam condenação.







