
O 7 de Setembro de 2026 revela uma contradição importante da política brasileira.
A insatisfação e as críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes não estão restritas à direita ou ao bolsonarismo. Em diferentes momentos, setores da esquerda, do centro e da direita também já questionaram decisões, métodos e a concentração de poder exercida pelo ministro no Supremo Tribunal Federal.
Mas existe uma diferença fundamental no movimento deste 7 de Setembro.
Para uma parcela expressiva dos manifestantes de hoje, a crítica ao STF se mistura a um forte sentimento de revanche política contra aquele que se tornou uma das figuras centrais nos processos que culminaram na prisão de Jair Bolsonaro.
E isso muda o significado da manifestação.
Uma coisa é discutir os limites da atuação de um ministro do Supremo, defender o devido processo legal, cobrar equilíbrio entre os Poderes e questionar decisões consideradas excessivas. Esse debate pode e deve existir em qualquer democracia.
Outra coisa é transformar a defesa das instituições em algo condicionado a quem está sendo investigado, julgado ou preso.
Curiosamente, o próprio ambiente político demonstra essa mudança: figuras que durante muito tempo atacaram duramente o STF hoje passam a defender a Corte quando percebem que o enfraquecimento institucional pode produzir consequências muito maiores do que uma disputa envolvendo Alexandre de Moraes.
O Brasil precisa conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo:
Criticar eventuais excessos de Alexandre de Moraes sem atacar o Supremo Tribunal Federal como instituição.
Porque ministros passam; Governos passam; Lideranças políticas passam.
As instituições permanecem.
E talvez essa seja uma das discussões mais importantes que este 7 de Setembro deixa para o país: a indignação contra decisões de um ministro pode reunir pessoas de diferentes posições ideológicas, mas a defesa da democracia não pode depender de quem está, naquele momento, sentado no banco dos réus.
