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Colunista Edson Corrêa

Publicitário e Analista Político

O QUE OS NÚMEROS DA QUAEST ME REVELAM SOBRE A RETA FINAL DA ELEIÇÃO

O QUE OS NÚMEROS DA QUAEST ME REVELAM SOBRE A RETA FINAL DA ELEIÇÃO

Por Edson Correa

Ao analisar a mais recente pesquisa Quaest, na minha opinião fica evidente que entramos na fase em que o jogo se decide nos detalhes e, principalmente, no controle da narrativa.

A minha leitura sobre o momento atual das campanhas é a estratégia da desconstrução e o medo do prejuízo

A campanha de Lula conseguiu trabalhar a desconstrução da imagem de Flávio Bolsonaro ao explorar o receio de parcelas da população em relação aos impactos de uma eventual eleição do adversário.

(Os dados Segundo a Quaest, 52% dos eleitores rejeitam Flávio Bolsonaro e 44% afirmam ter medo do retorno da família Bolsonaro ao poder, superando numericamente o medo da reeleição de Lula, que está em 42%).

Esse movimento acionou um sinal de alerta no eleitorado, gerando uma barreira que impede Flávio de crescer de forma decisiva.

A expansão da zona de indecisão

A maior rejeição a Flávio não significou, necessariamente, uma transferência automática de votos para Lula. O movimento detectado pela pesquisa indica que esse eleitor se deslocou para uma zona de indecisão. Ele abandonou o candidato da oposição, mas ainda hesita antes de se entregar à candidatura do governo.

(Os dados No cenário de 2º turno, a pesquisa mostra um empate técnico no limite, com Flávio Bolsonaro acumulando 45% e Lula com 44%. Esse deslocamento mantém a disputa aberta e concentrada no grupo de eleitores indecisos e no voto nulo/branco)

O desafio central é a conquista dos indecisos

O verdadeiro campo de batalha nesta reta final está no convencimento desse grupo.

Flávio Bolsonaro precisa resgatar quem o abandonou em direção à indecisão, revertendo desconfianças e reconquistando o voto útil.

Lula precisa transmitir confiança e segurança para fazer desse receio uma decisão consciente de voto.

(Enquanto Lula enfrenta 47% de rejeição e uma desaprovação do governo fixada em 47% contra 46% de aprovação, a conquista desse eleitor indeviso depende diretamente de passar credibilidade e segurança sobre os rumos do país)

Caso os indecisos optem por votar em branco ou anular no dia da votação, a conta muda. Para garantir a vitória, a candidatura de Lula terá que mobilizar intensamente aqueles que se abstiveram no primeiro turno, transformando o não-comparecimento em presença nas urnas.

O 7 de Setembro de 2026 revela uma contradição importante da política brasileira.

O 7 de Setembro de 2026 revela uma contradição importante da política brasileira.

A insatisfação e as críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes não estão restritas à direita ou ao bolsonarismo. Em diferentes momentos, setores da esquerda, do centro e da direita também já questionaram decisões, métodos e a concentração de poder exercida pelo ministro no Supremo Tribunal Federal.

Mas existe uma diferença fundamental no movimento deste 7 de Setembro.

Para uma parcela expressiva dos manifestantes de hoje, a crítica ao STF se mistura a um forte sentimento de revanche política contra aquele que se tornou uma das figuras centrais nos processos que culminaram na prisão de Jair Bolsonaro.

E isso muda o significado da manifestação.

Uma coisa é discutir os limites da atuação de um ministro do Supremo, defender o devido processo legal, cobrar equilíbrio entre os Poderes e questionar decisões consideradas excessivas. Esse debate pode e deve existir em qualquer democracia.

Outra coisa é transformar a defesa das instituições em algo condicionado a quem está sendo investigado, julgado ou preso.

Curiosamente, o próprio ambiente político demonstra essa mudança: figuras que durante muito tempo atacaram duramente o STF hoje passam a defender a Corte quando percebem que o enfraquecimento institucional pode produzir consequências muito maiores do que uma disputa envolvendo Alexandre de Moraes.

O Brasil precisa conseguir fazer as duas coisas ao mesmo tempo:

Criticar eventuais excessos de Alexandre de Moraes sem atacar o Supremo Tribunal Federal como instituição.

Porque ministros passam; Governos passam; Lideranças políticas passam.

As instituições permanecem.

E talvez essa seja uma das discussões mais importantes que este 7 de Setembro deixa para o país: a indignação contra decisões de um ministro pode reunir pessoas de diferentes posições ideológicas, mas a defesa da democracia não pode depender de quem está, naquele momento, sentado no banco dos réus.

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