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Brasileiros recorrem a pratos feitos e lanchonetes para controlar gastos com alimentação

Mesmo com o preço das refeições fora de casa em alta, formatos mais simples e acessíveis ganham espaço na rotina de trabalhadores e famílias que precisam equilibrar o orçamento

Com o orçamento cada vez mais disputado entre despesas básicas, os brasileiros estão mudando a forma de se alimentar fora de casa. Pratos feitos, refeições por quilo, buffets e lanchonetes passaram a ocupar um espaço maior na rotina de consumidores que procuram alternativas para comer fora sem comprometer ainda mais a renda.

A mudança acontece em um cenário no qual o custo das refeições também avançou. Segundo o Índice Prato Feito (IPF), elaborado pela Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP), o preço médio do tradicional PF chegou a R$ 31,90 em junho de 2026, uma alta de 7,2% desde janeiro, quando a média era de R$ 29,77.

Na prática, quem precisa almoçar fora durante os 20 dias úteis do mês gastaria, em média, R$ 638 apenas com o prato feito, sem considerar bebidas, sobremesas ou outros gastos.

Menos saídas, escolhas mais práticas

Uma pesquisa da Worldpanel by Numerator, divulgada em junho, aponta que os brasileiros reduziram em 7,1% as ocasiões de consumo fora de casa no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o valor gasto por saída aumentou 28,3%.

O levantamento mostra ainda que as refeições ganharam destaque entre os hábitos de consumo, especialmente formatos como restaurantes por quilo, buffet à vontade e prato feito. No período analisado, essas refeições registraram alta de 49,6% em valor e 51,1% em frequência. Entre consumidores das classes D e E, o crescimento em valor chegou a 59,9%.

Os números ajudam a explicar uma mudança no comportamento: diante dos preços mais altos, o consumidor não necessariamente deixa de comer fora, mas passa a escolher com mais cuidado onde, quanto e como gastar.

Lanchonetes também entram na estratégia

Para muitas pessoas, a lanchonete se tornou uma alternativa para substituir refeições mais caras ou simplesmente adaptar o consumo à rotina de trabalho.

Sanduíches, salgados, cafés e outras opções rápidas podem representar uma escolha mais flexível para quem precisa controlar o orçamento. O movimento também acompanha a força do setor de alimentação fora do lar no país.

Um levantamento da Wise Sales em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) apontou que o mercado de alimentação fora de casa movimentou R$ 287,9 bilhões em 2025. O país encerrou o ano com cerca de 1,2 milhão de estabelecimentos de food service, sendo mais de 72% deles pequenos negócios. Restaurantes, bares e lanchonetes estão entre os formatos mais numerosos.

Economia na ponta do lápis

Embora o prato feito continue sendo associado a uma refeição de melhor custo-benefício, a alta dos preços mostra que até mesmo as opções consideradas mais econômicas estão sofrendo os efeitos do aumento dos custos.

Além dos alimentos, fatores como aluguel, mão de obra, energia, transporte, combustíveis, embalagens e outros custos operacionais também influenciam o preço final cobrado pelos estabelecimentos.

Para o consumidor, a consequência é uma rotina de escolhas cada vez mais calculadas. Em vez de simplesmente decidir onde comer, muitos brasileiros passaram a comparar preços, tamanho das porções, promoções e distância antes de fazer o pedido ou escolher um restaurante.

No fim das contas, a busca por economia não significa necessariamente abandonar a alimentação fora de casa. Significa encontrar maneiras de manter esse hábito dentro de um orçamento que está cada vez mais apertado.

By admin

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